Manifesto das inconsistências vistas e vividas no Brasil

 


Por Caroline Franciele

Há muito se pensou em escrever um manifesto sobre todas as inconsistências vistas e vividas no Brasil. Pois bem, munida de grande coragem e determinação, rogo nestas linhas todo o teor de experiências vividas em um texto expressamente de opinião. E que, se minha opinião ofende ou denigre a muitos, pois que parem de ler, pois não vou me calar. Não vou mais me calar.

Em uma tarde de veraneio, olhava eu nas redes sociais até ver a seguinte frase: “Cuidado para não ter a mente muito aberta e deixar o cérebro cair”. Minha frustração foi tremenda, mas não passou disso. Relembrando tais fatos com mais maturidade, vejo que o problema não é deixar a mente aberta e o cérebro cair e sim deixar a mente muito fechada e o cérebro sufocar. Ora, não há nada mais belo que uma mente livre e pensamento aberto. Com mais e mais espaço, as conexões neurais se faram mais rápidas e com mais espaços para novos neurônios. Não fechem suas mentes na virtude de novas ideias, antes, abram espaço para novos céus; pois nada, nada vive muito tempo enclausurado.

É isso o que o Brasil precisa: de mais oxigênio cerebral, de uma nova onda de frescor, de ousar, de novas ideias; caso contrário, tristemente continuará sendo a terra que exporta grãos em pleno século XXI, em face ao que se fazia no século XII e que se perpetua em terra verde e amarela. Não é a toa que grandes mentes estão indo para fora, onde a lei do pensamento é unicamente a lei livre. Quem vos escreve, que sequer é uma grande mente, pensa em ir para fora, que dirá os ilustres pensadores!

Outra coisa que me aflige é a alcunha de “velho”. Estava eu sentada em um banco quando ouvi a seguinte frase: “Deixa ele, já é velho mesmo”. Dessa vez não tive medo e me manifestei. Disseram-me depois que me exaltei sem motivo. Porém, são nesses pequenos comentários que nasce o preconceito. Logo seria: “ Deixa a bicha”, ou “Deixa o preto”, ou “Deixa a gorda”. Céus, qual é o problema de ser velho, negro, gay ou gordo no Brasil? Principalmente no Brasil no qual o melhor craque do futebol era preto. Um dos mais inteligentes jornalistas era gordo e uma das maiores vozes do MPB era lésbica.

Chega desse falso moralismo! Ouvi certa vez o dono ladrão de uma loja dizer que eu precisava ir na igreja, mas raios, se ele era ladrão e estava na igreja, por que eu deveria ir? Perdoem-me realmente as igrejas, há muitos pastores, padres, rabinos e pregadores de muita fé e que certamente é a manifestação da palavra de Deus. Eu sou uma pessoa de fé, porém devo admitir que as piores hipocrisias estão debaixo de um teto sagrado.

Sem falar nos preços! Puras porcarias estão os preços no Brasil! O poder de consumo virou uma piada de esquina! Toda a vez que se olha numa gôndola ou vitrine ou qualquer coisa, tudo está com um preço absurdamente caro e com uma quantidade cada vez menor! Isso até já virou clichê. Mas, é ridículo que vire! Não poderia ter chegado a este patamar risível! Se chegou, é porque nós brasileiros deixamos que chegasse. Nós nos fizemos piada internacional e gostamos disso. O que poderíamos ter feito? Somos apenas trabalhadores, alguns nem estudaram direito. Dane-se! Desculpe-me a palavra, todavia, se tivéssemos ido às ruas, feito petições, greves ou simplesmente deixado de compra; ter feito qualquer forma de protesto, não estaríamos agora reclamando do preço abusivo e absurdo das coisas. Estamos em situação de absurdo porque assim deixamos ficar.

Vendemos nossas riquezas, outro grande clichê, mas vendemos! Somos uma nação cansada, uma nação vendida, uma nação que não deveria, mas que se deixou virar piada no exterior.  Todo o poder emana do povo e isso não é só uma frase bonita pra por na Constituição, é a realidade de uma democracia.

Brasileiros, exerçam o direito de serem brasileiros! Parem de perder tempo furando filas e leiam livros. Parem de perder tempo cuidando da vida da vizinha e leiam as notícias. Parem de reclamar que não compra nada no Brasil e estimulem seus filhos a valorizarem a escola pública. Parem de rir da própria desgraça e entendam o que cada cargo do poder público faz. Deixem de rabiscar as portas de banheiro e ouçam o rádio. Uma Holanda ou Suíça ou França ou Inglaterra não nasceu um país de primeiro mundo, tornaram-se países de primeiro mundo. E nós, que acordamos de madrugada, pegamos ônibus lotados, cozinhamos, passamos, cuidamos de filhos e trabalhamos em dois, três empregos, temos sim a força necessária para fazer desta nação não primeiramente um país de primeira, mas algo bem melhor do que está.

Peço desculpas se minhas  palavras ofendem ou ofenderam a muitos, não obstante, tinha o dever cívico e até mesmo espiritual de dizê-las. Nelson Rodrigues uma vez disse que os brasileiros têm complexo de vira-lata, pois bem, chegou a vez de mostrar que temos pedigree e capacidade de sermos ermos vira-latas que vão para a lua!

Faço destas minhas palavras, de uma escritora e jornalista ainda desconhecida um grito de guerra para a marcha que está prestes  a se instaurar no Brasil; no começo, com pouco movimento, mas depois, prestes a estremecer quartéis.

Não tenham medo, meus amigos, pois somos uma nação forte e poderosa! Brasileiros, a conquista é nossa!

 

Comentários

  1. Parabéns, eis uma realidade que há muito tempo grita para nós. Porém, ainda se mantém inerte devido não ter achado espaço no coração e na mente da maioria.

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  2. Vc ainda não é uma grande mente mas caminha rapidamente para sə'lo

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