As desvantagens de ser visível




 

 Por Caroline Franciele

"Quer se aparecer? Pendura uma melancia na cabeça!" Recorrentemente, esta frase é mais do que utilizada no vocabulário popular para sinalizar a pessoa egocêntrica, que deseja chamar para si todos os holofotes. Todavia, será mesmo algo tão simples assim?

Em uma linha racional, tomemos por exemplo uma análise superficial do que a sociologia chama de esfera pública, particular e privada, em sua teoria dos campos concêntricos. Todo ser humano, como ator social, possui a esfera pública, aquilo que é visível aos olhos de todos. Da mesma forma, possui a particular, um círculo mais fechado, restritivo a pessoas próximas e, por último, porém não menos importante, temos a esfera privada. Parafraseando um ex-professor que parafraseou um filme (a paráfrase da paráfrase, por assim dizer), esta esfera seria mais singular, "Você, você mesmo e Irene". Algo tão restritivo que nem mesmo sua mãe saberia o que faz.

Não julguem, caros leitores, tais atos como macabros ou tenebrosos, afinal, todos nós temos intelecto suficiente para superar a barreira superficial das coisas, nos livrando do ledo (?) engano. Tal círculo hiper restritivo poderia ser descrito como os hábitos pessoais, como chupar dedo, segredos ou particularidades que são somente nossas e de mais ninguém.

Não obstante, com o advento contemporâneo das redes sociais, seu fácil acesso informacional, a conectividade em massa na chamada Era da Informação, quais seriam as limitações de tais círculos? O que é público, privado e particular? 

As paredes pouco a pouco estão se rompendo e estamos numa febre exibicional fervente. Claro, não generalizemos tudo, nada é plenamente uniforme, nem em cálculos matemáticos mais do que precisos; que dirá conosco, seres perfeitamente imperfeitos.

Seria esta exibição quase frenética uma demonstração social de fenômenos psicológicos graves e um grito agudo de socorro no decorrer dos dias que nos engolem? Ou seria apenas um modismo passageiro, como o foram tantas e tantas contraculturas? Não, esta última hipótese cai por terra quando pensamos cada vez mais no avanço tecnológico. Seria então o caso de uma felicidade retumbante que nos faz querer compartilhar tudo, numa rede de aconchego? Seria para o bem ou o mal?

Se pararmos minimamente para pensar, as concepções de bem e mal são mais do que culturais. Usando o senso comum, se faz com o veneno da cobra o antídoto.

O problema central deste texto não é o exibicionismo exacerbado, mas sim a exploração do que se causa, a análise de causa e consequência e como isto suscita correntes contrárias dos anti-tecnológicos. Afinal, seria, em todos o emaranhado de ideias, uma vantagem ou uma desvantagem ser visível?

Por um lado da moeda, temos a quase patologia das redes e a dependência tecnológica ( esta sim, a verdadeira patologia), na coroa da mesma moeda, temos a Primavera Árabe. Pois bem, reafirmo aqui que com o venono da cobra se faz o antídoto. 

Em síntese, finaliza-se este texto com a reflexão e resposta de que não há resposta, somente reflexão, dádiva que nos foi concedida aos reles mortais para lidar com tais questões.

Sim, para muitos posso ser descrita como uma pessoa sacana que "deixou a bomba no colo"e saiu correndo. Se você irá deixar com que exploda ou irá desarmá-la, são questões demasiadamente complexas e pessoais para discussão. As vantagens ou desvantagens de ser visível é uma colocação intríseca a cada intelecto. 

Fim de discussão, ou não. Quem sabe?


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