COVID 19: Anjo de Plantão na UTI: crônicas 'consolarianas' da pandemia

 Por Caroline Franciele





Hélio Consolaro e Caroline Franciele no lançamento feito na AAL. Créditos: Antônio Reis 

Quando se fala em COVID-19, a primeira cena que vem a mente do brasileiro é uma realidade ultrapassada, como um pesadelo que se esquece, algo que já foi. Não é mentira que este fenômeno acontece com muitos, afinal, é natural da espécie humana o sentimento de auto preservação, apagando da memória todos os momentos difíceis que passamos, para que assim sigamos adiante. Superada a COVID, sim, porém não devemos esquecer das precisas lições que obtivemos com ela. De todos os aprendizados, experiências e, principalmente, as superações. 
Pensando sobre este viés, o jornalista e escritor Hélio Consolaro aborda em seu oitavo livro narrativas que nos fazem refletir sobre este pesadelo sem tanto medo, porém, munidos de toda a reflexão.
Com prólogo de Antônio Reis, a obra aborda de maneira sagaz os períodos de isolamento vividos, as descobertas científicas, o negacionismo e auto medicação mais do que para além de racionais que muitos adotaram; a adaptação ao online, as passeatas políticas - tiro no pé, na reles opinião de quem vos escreve - a vacinação e postura política do Brasil frente a tudo isso; além de tecer uma espetacular linha racional que une ciência e fé, que, nas palavras do autor, é a maneira que Deus nos deu de conhecer o mundo, não sendo conceitos antagônicos, mas sim complementares - embora muitos terraplanistas digam o contrário.
Com textos de fácil leitura, Consolaro nos leva à reflexões sobre a vida e sua valorização, claro, sem deixar de lado as críticas que precisam ser feitas, como na crônica "Tubaína ou Cloroquina", na qual nos leva a relembrar a automedicação totalmente ineficaz dos apoiadores da cloroquina, que até os dias atuais não teve nenhum valor científico comprovado na prevenção do coronavírus.
Em diversos momento Hélio cutuca a ferida onde mais dói, mostrando o saldo proveniente da irresponsabilidade política da época e a consequências das impensadas ações da comunidade civil, o que torna a obra ainda mais fantástica, dinâmica e digna de aplausos.
Claro, há também crônicas que relatam experiências cotidianas, como a valorização dos jornais e da ciência em meio à crise que enfrentamos, reuniões on-line, amigos que contraíram a doença, dentre outros textos que prendem o leitor num e fazem com que o livro, de pouco mais de 70 páginas, seja lido num piscar de olhos.
A capa da obra, como explica o autor, foi inspirada no mural do artista plástico Eduardo Kobra, mostrando assim mais uma vez a perspectiva da união entre fé e ciência em prol da humanidade, união esta que deveria ter sido feita há décadas.
O livro fecha com chave de outro com o relato do mestre Antôio Luceni, narrando de maneira emocionante as dificuldades que enfrentou quando contraiu o vírus, uma crônica de literalmente se ler com lágrimas nos olhos, nos fazendo mais uma vez repensar o precioso valor da vida.
A obra de Hélio Consolaro foi lançada previamente no Rotary Club e na Academia Araçatubense de Letras. Aos interessados, haverá mais um lançamento aberto ao público durante a Balada Literária do Grupo Experimental, no Quintal Cultural, no dia 19 de setembro, a partir das 19h30.



Comentários

  1. Obrigado, Caroline Franciele! Uma escritora ajudando um escritor!

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    1. Quem agradece pela oportunidade de escrever sobre seu livro sou eu!

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