E agora, Brasil?

 Por Caroline Franciele

 



 
Brasil, mostra a sua cara, quero ver quem paga pra gente ficar assim. Não é de hoje que esses versinhos de Cazuza ecoam na minha cabeça, juntamente com o poema do grande Carlos Drummond de Andrade, "E agora, José?" Se não me falha a memória, o poema de Drummond dizia assim: "E agora, José? A festa  acabou, a luz apagou, o povo sumiu, a noite esfriou [...]".
Pode não ser José e por momento não é mais o povo brasileiro - ufa. Porém, a farra, a festa de um certo indivíduo ligado a política acabou. Não há mais folia, passeatas em motocicletas sem máscara em época pandêmica. As luzes, os holofotes que brilhavam sob sua cabeça se apagaram e agora mostram toda a sua escória e sujeita. Seus apoiadores, agora fazem delação premiada e dizem ser meros cumpridores de ordens.
 A noite, antes de festejos, vídeos de piadas escatológicas, compras imensas de leite condensado e xingamentos públicos à imprensa- que teve seu índice de ataques sofridos aumentados exponencialmente durante seu mandato -agora é uma noite obtusa onde não se vê mais patamar, e sim se enfrentam os fantasmas de sua própria criação. Fantasmas que vieram com joias de ouro e pedras preciosas vindas da Arábia Saudita - quem me dera ter amigos que me presenteassem assim - propina e enrolação na vacinação contra a COVID-19, negacionismo, fake news, dentre outros fatores que somente deixariam a lista cada vez mais imensa.
E agora, José? Agora, caros Josés, Josefinas e Josefx, o Brasil respira há tempos aliviado uma lufada de ar que precisava, ante a toda a pressão que suportou durante longos, longos quatro anos que mais se pareceram com 400. Infelizmente, essa lufada de ar não vem da Floresta Amazônica, que sofreu grande índice de degradação segundo o INPE durante o governo antecessor. Nós desmatamos mais, tá ok?
Sem contar com o armamento, que deixou a população - pelo menos  a mais racional, sem ofensas, mas contra fatos, não há argumentos - de cabelos em pé. Usando-me das palavras da APEOESP, nós queremos mais livros, não mais armas. E agora, Brasil, você está mais do que livre das correntes da opressão que o pendiam para cada vez mais baixo num declive sem fim.
Mas, José, José, você já pode relaxar mais um pouco, pois em frente a lambança nacional que tivemos, logo vemos a luz no fim do túnel se tornar mais próxima. Afinal, acreditem os supersticiosos ou não, o 13 dessa vez não deu azar. Vá entender.


* O texto abaixo é uma livre manifestação de pensamento que demonstra os ideais e visão de mundo da autora, respeitando as demais opiniões, afinal, vivemos em um país diverso. Se você não concorda com o que está descrito, tem total liberdade para comentar em palavras moderadas que não ofendam nem diminuam ninguém (sem xingamentos, injúrias e machismo). A liberdade de expressão é um direito de todos nós.

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