Opinião - Barbie: o cor-de-rosa mundo da igualdade sem cor-de-rosa
Por Caroline Franciele
Pensar em um lindo mundo cor-de-rosa, com sua própria casa, carro, sem limites para emprego, amigos sensacionais, ter uma beleza e corpo exuberantes, roupas lindas, ser querida e estimada e sempre viver o melhor dia da sua vida, em senso, pode ser o sonho da maioria das mulheres e meninas -meninos também, por que não?- E é neste cenário perfeito e impecável que Greta Grewin nos lança. O longa começa explicando a origem da boneca mais famosa do mundo: em meio a um mundo retroativo em que meninas poderiam apenas ser mães e brincar com bonecas nenéns como uma espécie de treino, surge a quebra do tabu: uma linda boneca loira e adulta, que pretende incentivar as meninas a serem o que quiserem, inclusive mães.
A partir daí, surgem dois universos: a Barbieland, onde todas as versões das bonecas Barbie e Kens vivem na mais perfeita harmonia, com a ideia de que ajudaram e ainda ajudam diariamente meninas a serem o que quiserem, sem limites. Na Barbieland temos Barbies médicas, cientistas, astronautas, engenheiras, ganhadoras do Prêmio Nobel e tudo o que a imaginação pode almejar. E temos o mundo real. Neste contexto, os bonecos Kens têm sempre papel secundário.
Ao mesmo tempo que somos apresentados na primeira parte do filme a um universo mágico da Barbie, vemos que mudanças começam a acontecer com a Barbie Estereotipada - Margot Robbie em atuação impecável- com pensamentos sobre a morte, pés que ficam chatos - pois nesta obra, os pés da boneca são com o tornozelo levantado- um dia que começa ruim e um dos piores pesadelos de toda mulher: celulites.
Bem, em uma análise inicial podemos captar duas perspectivas: primeiramente, a inversão de papéis clássicos homem e mulher, uma vez que as mulheres possuem todo o protagonismo, cabendo ao Ken sempre ficar refém de um olhar da Barbie. Segundo, a quebra de uma vida estereotipada e perfeita com o surgimento de problemas corriqueiros que afetam drasticamente a Estereotipada.
Com a missão de ir ao mundo real e ver qual o problema com sua dona, pois ambas estão intrinsecamente conectadas, Barbie e Ken se deparam com um mundo totalmente inverso e horripilante para as mulheres: lá, elas são objetos de cobiça e prazer sexual, a diversão é reduzida, os homens, apesar de todas as revoluções, ainda ocupam papel central, o sonho de um mundo cor-de-rosa na igualde sem cores. Ao invés de ajudar as meninas com auto estima e coragem, elas reforçam padrões de beleza impossíveis, são o símbolo capitalista da indústria e até mesmo a Mattel- sua criadora- parece estar fora da realidade com seus executivos - todos homens- reunidos trancados discutindo qual melhor estratégia de Barbie.
Retornando à Barbieland, a loira logo descobrirá que seus pesadelos só estão começando.
Com a defesa de ideais feministas, o filme aborda o patriarcado tóxico que permeia a sociedade capitalista nos dias atuais, por outro lado, reforça como a sororidade, dialogo e compreensão são mais que meras palavras no vocabulário, mas sim fortes ferramentas de transformação social e como a relação mãe e filha unida com a identidade feminina pode derrubar grandes e altos muros de preconceitos e alienação.
Neste sentido, a alienação aqui se encaixa com os executivos que defendem a boneca Barbie, todavia pensam unicamente dentro de seu próprio círculo. Identidade é certamente outra palavra que permeia as 01h54 de obra, uma vez que além da protagonista, outras buscas indenitárias de auto conhecimento se desdobrarão, mostrando que a palavra "sombra" só se encaixará em seu sentido literal a partir de agora.
Com direção de Greta Grewing, roteiro de Greta Gerwig, Noah Baumbach e elenco fortíssimo com . Com uma trilha sonora impecável, o filme deixa pouca coisa a desejar, talvez por sua abordagem supérflua, todavia uma boa abordagem sobre identidade. Nota 4/5.

Adorei seu texto anja! fala de modo sintetizado sobre a proposta do filme. Vale ressaltar o final maravilhoso com a criadora da Barbie. Um momento de muita emoção. Acredito que o filme tenha ressignificado o que é a Barbie, trazendo mais protagonismo para a marca e humanizando-a.
ResponderExcluirMuito obrigada pelas palavras e por todo o carinho!!!
Excluir