Opinião - Vitória equatoriana contra petróleo é uma vitória da racionalidade em meio ao caos

 Por Caroline Franciele


Vitória em meio ao caos. Créditos: Pixabay.

Desde muito cedo, a humanidade busca e procura formas de locomoção. Somos nômades por natureza, nos adaptando ao sedentarismo -alguns até demais- com a evolução do raciocínio e de técnicas de desenvolvimento agrícola. Primeiro, caminhávamos por dias que pareciam sem fim - bom, eu não estava lá, mas deveriam parecer - depois, selamos os cavalos e tivemos os cinematográfico caubóis. Veio então os primeiros carros, locomotivas e trens movidos a carvão e depois a descoberta das descobertas: o petróleo. O resultado da decomposição de animais, plantas e afins gerou outros patamares para a humanidade. Agora a locomoção ficou mais facilitada, o aconchego chegou às nossas vidas.

Décadas depois de uso, como é mais do que natural e intrínseco à raça humana, nos acomodamos demasiadamente ao que é bom: usamos carros e motos até para ir até a padaria no quarteirão de cima - comentário fruto da observação.

Porém, o assunto aqui é outro, embora eu ame dar uma cutucadinha crítica nos defeitos da humanidade, embora eu seja uma pessoa tremendamente hipócrita também. Mas, fazer o que, eu sou humana, até que se prove o contrário.

Há uns dois dias atrás a população equatoriana decidiu por plebiscito - espécie de votação - banir a exploração de petróleo na Amazônia Equatoriana - aplausos ao nosso sensato amigo Equador - primeiro país no mundo a banir a exploração do combustível fóssil. Brasil, Brasil; você não está muito longe disso - cruzemos os dedos das mãos e dos pés e de onde mais tivermos dedos, vai saber.

Brincadeiras a parte, o local de exploração era o interior do Parque Ysuní. Com 51% a favor e 49% contra - sempre tem aqueles, né? - a reserva petrolífera se encontra no subsolo do parque, sendo alvo de exploração governamental há anos. O plebiscito, realizado por ambientalistas, é um grande salto na evolução intelectual humana, uma vez que depois de anos, campanhas e livros, finalmente abrimos nossos olhos para a verdade: de nada adianta ter um carro ou moto se sufocarmos antes de colocar a chave na ignição. Falando em chave, pode-se até considerar que esta sábia decisão - sim, estou sendo parcial, afinal, é um artigo de opinião, como explicitado no título - é uma das peças chaves para a real implementação do acordo de Paris. A esperança é a última que morre.

Agora, nos alegrar com está vitória e torcer que a pulguinha do bom senso morda cada vez mais países numa manifestação global de um bom chá de bom senso. Chá este que o Brasil está cada vez mais próximo de dar uma golada. Tomara.

Comentários

Postagens mais visitadas deste blog

Companhia de teatro de Birigui inova com espetáculo em castelo

Lua Azul: o eclipse do amor para os apaixonados

Resenha A garota do lago: uma narrativa de suspense fisgante e final surpreendente