Independência ou independência: da queda do patriotismo ao apogeu da cidadania
Por Caroline Franciele
'Independência ou morte!' a célebre frase que aprendemos nas aulas de história nos remete a uma imagem de Dom Pedro montado em seu cavalo branco, com o peito cheio de medalhes e uma voz revolucionária. Só que não foi bem assim. Aprendemos desde cedo uma história que é contada sob o viés dos vencedores. Algo que parece ser certo, heroico, destemido ou até mesmo magnífico. Felizmente, não é bem assim que a banda toca. Não nos ensinam as razões políticas pelas quais o 'independente' ergueu a espada. Para não voltar a Portugal.
Enfim, seja lá por quais tenham sido os motivos, nos tornamos uma nação independente. Sem escolas, saneamento básico, quase sem médicos e ainda ligados a coroa portuguesa. Desde então, várias outras lendas urbanas se vincularam ao imaginário popular: de que as cores de nossa bandeira simbolizavam nossas riquezas. De que Tiradentes foi um inconfidente mineiro. Até mesmo comemoramos o Dia do Índio e depois erguemos estátuas de bandeirantes. E as sutilezas não têm fim.
Para mais, incorporamos um patriotismo exacerbado. Defendemos cegamente causas que mal sabemos. Dividimos o país entre dois polos políticos e nos deixamos levar por esta superficilidade de palanques. Quase deixamos nos dominar por discursos enraizados de ódio. Começamos a odiar nossos vizinhos, nossos parentes e até nós mesmos. Dissemos que o comunismo se aproximava novamente da pátria sem ao menos termos lido um livro de Carl Marx.
Desejamos desenfreadamente nos armar o bélico quando na verdade deveríamos nos armar com palavras e companheirismo. Nos munimos com um cabresto psicótico que nos tirou do rumo. Duvidamos da ciência, duvidamos da tecnologia e, mais fatalmente, duvidamos de uma doença que estava em nosso cotidiano; achando que higiene e cuidados eram apenas mais palavras do dicionário sem valor real.
O patriotismo cego, assim como em Triste Fim de Policarpo Quaresma, nos levou ao derrotismo sem fim, além de manchar nossa imagem exterior. Sim, devemos ser defensores da soberania nacional, mas também devemos nos lembrar de que não somos o único país no mundo.
Mas, não há vendaval que seja eterno, eternas são apenas as nossas incertezas. Com o fim do patriotismo exagerado, finalmente demos início a uma nova fase desejável a todo o brasileiro: a cidadania. O poder de ser um indivíduo com direitos sociais, políticos e básicos garantidos. Independente do partido político ou até mesmo para os apartidários têm-se a certeza cidadã assegurada.
Afinal, o ser humano, antes mesmo da divisão política, como nos ensina Aristóteles, é um ser que por natureza precisa viver em grupos por questões de sobrevivência. De nada adiantam debates sem fundamento, intrigas de oposição e até mesmo homicídio derivado de razões políticas, a verdade é sabiamente uma só: uma casa dividida, não é uma casa. Uma nação que se divide ou triparte não é uma verdadeira nação.
Independente se você é patriota que se veste com as cores da bandeira ou um cosmopolita multi-cultural, seus direitos e deveres são os mesmos. Pelo menos, vemos isso hoje em dia assegurado no papel. Já é alguma coisa. Para não parecer clichê, mas não tendo como fugir disso, ao invés de fazermos rachaduras políticas, devemos criar laços para uma sociedade mais equânime, honesta e socialmente vinculada.

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